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sexta-feira, agosto 22, 2014

Análise: Devil Kings

Analisado por: Redhellc



Sengoku Basara?
Esta análise proveio de um recente conhecimento meu de uma série de jogos chamada Sengoku Basara ao estilo de Dynasty Warriors pela qual, obviamente, me interessei. Claro que a pergunta é porque estou a fazer então a análise de um jogo chamado Devil Kings dado que, à primeira vista, não tem nada ver… Pois, a verdade é que, sendo uma série passada no Japão feudal, a publicadora, Capcom, achou que um jogo desse estilo não iria vender muitos jogos fora do Japão e decidiu localizá-lo de tal forma que, tecnicamente, já nem é o mesmo jogo.
Assim temos Devil Kings, um jogo para a PS2 que saiu em 2005 com o mesmo estilo de Dynasty Warriors, mas que tenta dar uma aura mais de Devil May Cry e não tanto “realista”. Claro que para além da versão original já tentar fazer isso, o pessoal que trabalhou no Devil Kings achou por bem modificá-lo para o tornar ainda mais parecido com Devil May Cry, ao ponto que o jogo já não se passa no Japão, muitos inimigos foram mudados e, por amor de deus, até a fonte do logo do jogo é igual… Mas, localização exagerada à parte, como se aguenta o jogo em si?


Uma história de conquistas
Para começar, o jogo não tem propriamente uma história, pois o objetivo é conquistar todo o reino com o teu personagem. Então a “história” depende de qual a ordem de conquista de terras é feita. Mesmo assim, existem eventos que ocorrem nas campanhas de cada personagem que representam um combate importante, não só quando depende da situação mas também das relações entre os personagens. A pouca história que o jogo tem é um pouco de backstory para cada um dos personagens. Com isto quero dizer que não há muito a dizer no que toca à história. Mas no que toca à localização, isso é outra coisa, as vozes e atuações não são do pior que já ouvi mas algumas são hilariantemente más, o sinc também está um pouco ao lado mas também era de esperar. Ao menos as personalidades e as relações entre os personagens estão intactas.


O estilo de dilacerar hordas de inimigos
Como expliquei anteriormente, este jogo é do estilo hack and slash contra montanhas de inimigos. Em termos do controlo das personagens, penso estar muito bom, dois botões para fazer vários combos e dois ataques especiais, juntando um botão de salto e outro para defender e esquivar, e temos um controlo decentemente versátil. Gosto especialmente da fluidez dos combos que me faz lembrar Devil May Cry. Ainda para ajudar existe o Fury Drive Attack que pode ser acionado quando a barra está cheia, libertando toda a fúria do personagem, o ataque depende do personagem, existindo uma boa variedade destes. Aliás o jogo até faz um trabalho decente no que toca a diversificar os personagens. 
Em termos de objetivos do jogo, andamos de batalha para batalha, cada uma com os seus campos e objectivos a cumprir concluindo com, normalmente, a luta final contra o adversário principal. Há uma decente quantidade de batalhas, mas algumas têm objetivos similares o que pode tornar o jogo um pouco aborrecido. Alguns campos são interessantes é verdade, mas outros deixam um pouco a desejar.
Em termos de inimigos, para além dos principais, existem ainda uma quantidade de tropas a derrotar que às vezes podiam ter um pouco mais de diversidade. O AI às vezes também é um pouco questionável.
À medida que jogamos o personagem também vai evoluindo e é ainda possível equipar armas e afins diferentes para ajudar na batalha. Mesmo que o sistema esteja um pouco arcaico para agora ainda assim faz um trabalho decente. Pena o ritmo de evolução ser tão lento.
Onde o jogo peca mais é na dificuldade, já chega que o jogo não faz grande trabalho a introduzir-te às mecânicas deste, mas também quando estavam a trabalhar na transformação do jogo para Devil Kings decidiram que o jogo original era fácil demais trocando a dificuldade normal pela hard e a fácil pela normal, criando uma dificuldade ainda mais difícil. Isto faz com que a primeira vez que a pessoa vai jogar o jogo terá que possivelmente escolher a dificuldade fácil ou pode sujeitar-se a ficar preso num dos primeiros níveis.


Aparência diabólica
Um ambiente negro e escuro é o estilo que este tenta evocar, com um pouco de anime japonês. Mas eu penso que o jogo falha um pouco por causa disso, visto que alguns níveis parecem pouco interessantes visualmente. Mas os gráficos em si estão bons para um jogo de 2005, nada de impressionante mesmo assim.
As cutscenes em CGI também estão decentes para a altura, mas tenho que dizer que prefiro as em anime mesmo, ficaram muito melhores. Só é pena as vozes às vezes falharem um pouco com a animação.
Em termos de música também é aceitável, muitas caem bem no ouvido e acentam a ação. Mas infelizmente umas quantas são bastante repetitivas e aborrecidas. Não desaponta, mas também não impressiona.


Os despojos da guerra
No final, o jogo consegue ter aquela sensação de um DMC num jogo do estilo de Dynasty Warriors e para mim faz a premissa do jogo mais interessante. O problema é que a nível de qualidade do jogo em si deixa um pouco a desejar, sendo um jogo medíocre. O pouco foco na história, o gameplay bom mas com níveis às vezes repetitivos e uma dificuldade frustrante, juntamente a mais uma apresentação aceitável e uma localização exagerada, fazem deste um jogo que, como disse, raspa a mediocridade.
O interessante é que se o jogo não tivesse uma localização tão grande era muito mais acessível e tinha sido mais apreciado pelo seu público-alvo. Mas isto não foi o que aconteceu e sendo assim eu digo para se aproximarem deste jogo com cuidado. Se gostam do género então provavelmente vão tirar algum desfruto do jogo, senão é melhor evitar.

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